Portugal não é exceção e também tem a extrema direita

No bairro marginal da Jamaica, habitado por imigrantes africanos nos arredores de Lisboa, algo inédito aconteceu em Portugal. Após alguns episódios polémicos de brutalidade policial no início de 2019, o Presidente da República fez-lhe uma visita surpresa.

condenado a pedir desculpas

Dois anos depois, André Ventura, líder do partido Chega considerado de extrema-direita, criticou uma foto de Marcelo Rebelo de Sousa com uma família que descreveu como bandidos num debate eleitoral. De Coxis o acusou de discriminação com base na cor da pele e posição socioeconômica. O político foi obrigado a se desculpar publicamente.

Apesar de suas desculpas, Ventura foi rápido em dizer que discordava fortemente da condenação do tribunal e enfatizou que não queria levar o partido a um abismo financeiro e legal.

Mas quem vota nesse partido?

Em Santo Isidoro, a 50 quilómetros de Lisboa, o partido obteve bons resultados nas eleições autárquicas e presidenciais, ficando em terceiro e segundo lugar respetivamente. No entanto, parece uma missão impossível encontrar alguém aqui que admita votar nele.

“Eles falam muito e as pessoas ouvem, todo mundo ouve. Mas acho que não… A maioria dos extremistas não vai… Olha, continua”, garante um morador local.

“No meu círculo de amigos e conhecidos e nas conversas diárias, mesmo sobre as eleições, não posso dizer quem está votando nesse partido, ou quem está defendendo esse tipo de ideal. Porque aqui na área ninguém conhece radicais”, diz uma jovem.

O fato é que o partido conquistou uma cadeira no parlamento em 2019.

‘A exceção portuguesa é um mito’

‘Setentaycuatro’ é um projeto de pesquisa jornalística que investiga o fenômeno da radicalização.

Recentemente, alguns de seus jornalistas se infiltraram na versão em português dos Proud Boys, um conhecido grupo de extrema-direita por três meses.

“A exceção portuguesa era de facto um mito”, diz Filipe Teles. A ascensão do Chega fez parte do crescimento da extrema direita a nível europeu e internacional, com a eleição de Bolsonaro, Donald Trump, a ascensão de Marine Le Pen na França… Vox entrou no parlamento espanhol pelo Chega.

“Foi a extrema direita que mudou esteticamente”, observa Ricardo Cabral Fernandes. “Eles não andam como skinheads, em jeans e com a cabeça raspada. Agora eles usam ternos e gravatas e barbas aparadas. Podem dizer que não são de extrema direita, mas ao mesmo tempo dizem coisas de extrema direita, sempre brincando com essa ambiguidade e depois sendo vítimas. As ideias ainda estão lá, mesmo que não sejam explicitamente declaradas.”

Chico Braga

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