o terreno inclina-se para a direita


VOCÊvenceu por pouco. A oposição de centro-direita venceu as eleições parlamentares de domingo, 10 de março, em Portugal. Depois de oito anos de regime socialista, o parlamento do país ibérico está a mover-se para a direita com uma nova vaga de populistas, segundo uma projeção eleitoral transmitida pela televisão pública RTP.

Três meses antes das eleições europeias, estas eleições, que foram aceleradas pela demissão do primeiro-ministro cessante, António Costa, que não procurou um novo mandato, confirmam que a extrema direita está a fazer progressos em todo o Velho Continente, tal como os eleitores italianos tinham feito. mostrado ou os holandeses. Portugal era um dos poucos países da Europa governados pela esquerda quando António Costa, 62 anos, jogou a toalha no início de novembro, após ser citado numa investigação de tráfico de influência.

29 a 33% dos votos para a Aliança Democrática de centro-direita

Segundo a projeção da RTP, a Aliança Democrática (AD) de centro-direita, liderada por Luís Montenegro, de 51 anos, teria vencido as eleições de domingo com 29 a 33% dos votos, mas não conseguiria formar maioria em seu próprio. Luis Montenegro, deputado durante muitos anos e depois chefe do grupo parlamentar quando o seu partido esteve no poder (2011-2015), prometeu durante a campanha não formar um governo com o apoio da extrema direita.

Esperava contar com o pequeno partido Iniciativa Liberal, que obteve 5 a 7% dos votos, mas de acordo com esta sondagem os dois partidos juntos não atingirão o limiar de 116 deputados em 230 assentos, sinónimo de maioria absoluta. O Partido Socialista (PS), que tinha obtido maioria absoluta nas anteriores eleições legislativas, em janeiro de 2022, com uma pontuação de 41,4%, ficaria agora em segundo lugar, com 25 a 29% dos votos. Após a saída de António Costa, o PS reagrupou-se em torno de Pedro Nuno Santos, um antigo ministro de 46 anos, de esquerda.

Do lado vencedor destas eleições, o partido de extrema-direita Chega (Chega) teria claramente reforçado a sua posição como a terceira força política no país ao obter 14 a 17% dos votos. Este resultado é consistente com os inquéritos pré-eleitorais e representa mais do dobro da pontuação de 7,2% alcançada há dois anos. A formação antissistema, movida por um discurso contra a corrupção, a imigração e as minorias, foi fundada em 2019 por André Ventura, um professor de direito de 41 anos que ficou conhecido como polemista nos televisores dedicados ao futebol. Saudou imediatamente “um resultado absolutamente histórico”, dizendo estar “disponível” para “dar a Portugal um governo estável” dentro de uma “forte maioria à direita”.

Nova onda da extrema direita

Esta nova vaga de extrema-direita surge no momento em que Portugal celebra o seu 50º aniversário no próximo mêse aniversário da Revolução dos Cravos, que pôs fim à ditadura fascista e a treze anos de guerras coloniais. Além das suspeitas de corrupção que provocaram a demissão de António Costa, André Ventura também pressionou durante a campanha para aumentar a imigração para este país, que viu a sua população estrangeira duplicar em cinco anos.

“Com todas as mudanças sociais, demográficas e económicas, os portugueses sentem que têm de votar e que têm uma palavra a dizer nas escolhas políticas”, disse no domingo, dizendo esperar uma forte participação. A taxa de abstenção, estimada entre 32 e 38% segundo a projeção da RTP, seria a mais baixa desde 2005.

Apesar da consolidação das finanças públicas, do crescimento acima da média europeia e do desemprego nos seus níveis mais baixos, o desempenho do governo socialista cessante foi manchado pela inflação, disfunções hospitalares e escolares e, posteriormente, por uma grande crise habitacional. Durante a campanha, o líder da oposição de centro-direita, Luis Montenegro, prometeu cortar impostos para impulsionar o crescimento, ao mesmo tempo que afirmou que queria melhorar os serviços públicos.


Alberta Gonçalves

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