Portugal: o nascimento de um bebé sem rosto põe o país em turbulência

Em Portugal, nasceu um bebé sem rosto. Um obstetra foi suspenso pela Ordem dos Médicos e está a ser investigado judicialmente, por “fortes indícios” de negligência.





FonteAFP



Stupor em Setúbal, a sul de Lisboa. Um bebê nasceu sem rosto em 7 de outubro: ele não tem nariz nem olhos e está faltando parte do crânio. Malformações que não foram detectadas pelo médico. Enquanto o seu nascimento perturba Portugal, a Ordem dos Médicos, sob pressão da opinião pública, suspendeu o obstetra, acusado de negligência. O médico, suspenso por seis meses na noite desta terça-feira por unanimidade pelo Conselho Disciplinar da Ordem dos Médicos, já foi alvo de outras seis queixas, a mais antiga das quais data de 2013. O Conselho Disciplinar decidiu abrir um inquérito após este nascimento fez manchetes.

A Justiça também está investigando o caso após denúncia feita pelos pais contra o médico. “Há fortes indícios” de negligência por parte do doutor Artur Carvalho, que “pode conduzir a uma sanção disciplinar”, declarou quarta-feira Alexandre Valentim Lourenço, presidente do conselho da Ordem dos Médicos da região Sul. Perante o impacto deste caso que “repercute na reputação dos médicos” e “para tranquilizar as grávidas”, esta suspensão foi necessária para avaliar as queixas, algumas das quais “são longas, porque muito complexas”, a- explicou à televisão pública RTP.

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A criança ainda internada

No dia 7 de outubro, os pais de Rodrigo, um bebé nascido sem nariz, sem olhos e sem parte do crânio, descobriram as malformações do filho durante o parto no Hospital São Bernardo, em Setúbal, a quarenta quilómetros a sul de Lisboa. O doutor Artur Carvalho tinha acompanhado a gravidez da mãe do pequeno Rodrigo numa clínica privada em Setúbal, onde fez as três ecografias obrigatórias sem detectar o menor problema.

Alertado pela primeira vez para uma possível anomalia do feto no sexto mês de gestação durante uma ultrassonografia mais extensa, realizada por iniciativa dos pais, o obstetra os tranquiliza. “Explicou que por vezes certas partes do rosto não são visíveis” durante as ecografias “quando o bebé tem o rosto encostado à barriga da mãe”, disse Joana Simão, irmã da mãe, ao canal de televisão TVI 24. O pequeno Rodrigo ainda está internado em Setúbal na enfermaria pediátrica do hospital onde nasceu.

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Isabela Carreira

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