O Shoah Memorial homenageia esses raros diplomatas que eram “justos”

A partir do verão de 1941, Jacques Truelle, um diplomata francês estacionado em Bucareste, enviou mensagens regulares a Vichy com informações detalhadas sobre os massacres de judeus. Daquele momento em diante, ele evoca acontecimentos dramáticos ocorridos na Romênia, sob ocupação alemã e sob o governo de um governo colaboracionista. Ele também relata notícias da Ucrânia, que acaba de ser invadida pela Wehrmacht e onde o Holocausto começa com balas. Não são mais pogroms, ele suspeita.

Ele alerta para a possibilidade de um plano de extermínio. Os telegramas permanecem letras mortas, e por uma boa razão: o regime colaboracionista de Vichy também se voltou para uma política resolutamente anti-semita. As incursões dos judeus começam em Paris e dos campos de internação de Drancy, Pithiviers ou Beaune-la-Rolande são anunciados os primeiros comboios de deportação para Auschwitz. Em 1943, o diplomata, liberto deste Pétain sobre o qual havia jurado, entrou na França Livre.

Alguma liberdade de movimento

Jacques Truelle é um dos personagens trazidos da obscuridade através da exposição “Les Diplomates face à la Shoah”, organizada pelo Mémorial de la Shoah, em Paris, até 8 de maio. Esta é uma travessia original de guerra, vista das embaixadas. Descreve-se a atitude dessas testemunhas privilegiadas em relação às perseguições e como se reportaram a seus respectivos governos. Algumas figuras são conhecidas e ficaram na história por seu heroísmo. O sueco Raoul Wallenberg e o português Aristides de Sousa Mendes, um na Hungria e outro na França, salvaram milhares de judeus dando-lhes passaportes ou vistos.

Os quatro curadores científicos – Catherine Nicault, Professora de História Contemporânea da Universidade de Reims, Claire Mouradian, Diretora de Pesquisa Emérita do CNRS, Jean-Marc Dreyfus, Professor da Universidade de Manchester, e André Kaspi, Professor Emérito da Sorbonne – reuniu muitos outros nomes se apresentaram, diplomatas europeus ou asiáticos que tentaram alertar sobre o que estava acontecendo e depois levaram sua ajuda aos judeus sob ameaça de morte.

Não é de surpreender que os embaixadores, como o resto da população, estejam divididos de forma desigual entre combatentes da resistência, colaboradores e indiferentes. Apesar de um status que lhes dava certa liberdade de movimento, poucos se rebelariam contra as ordens de não intervenção de seus respectivos governos. “Quarenta diplomatas foram proclamado ‘justo entre as nações'”diz Claire Mouradian. O último, reconhecido como Just in 2020, é um francês, François de Vial. Anexado à embaixada francesa no Vaticano, ele escondeu judeus com a cumplicidade do clero estacionado em Roma.

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Chico Braga

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