Em Portugal, um milhão de eleitores fantasmas ameaçam distorcer os resultados das eleições parlamentares

Aquilo é “um velho problema” em que o Diário de Notícias dedica o seu nesta quinta-feira, 27 de janeiro, poucos dias antes das eleições parlamentares antecipadas. Uma votação marcada para domingo, 30 de janeiro e realizada após a rejeição do Orçamento de Estado de 2022. A primeira em Portugal desde o regresso à democracia em 1974.

A manchete especifica em suas colunas os contornos do referido problema, que ameaça inflar a abstinência:

Durante anos a culpa foi dos ‘mortos’. Doravante seria a dos emigrantes. O fenômeno dos ‘eleitores fantasmas’, que somaram mais de um milhão este ano, pode atrapalhar a participação e, portanto, o número de delegados por círculo eleitoral”.

Uma sensação de forte abstinência

Durante anos, os registos eleitorais portugueses raramente removeram os mortos, levando a um aumento do número deles “eleitores fantasmas”. No entanto, desde a década de 1990, os seus números diminuíram, mas o problema está agora associado aos emigrantes portugueses. Estes últimos são, de facto, muito mais numerosos do que os 1,5 milhões de eleitores recenseados fora de Portugal, salienta a Comissão Nacional de Eleições (CNE). Isto significa que os emigrantes continuarão a utilizar a sua morada portuguesa para efeitos de registo.

O número de“eleitores fantasmas” totaliza assim 1.143.604, de acordo com os dados cruzados do CNE e o censo do ano passado. Segundo João Tiago Machado, porta-voz do CNEperguntou o jornal, essa diferença terá consequências imediatas para os resultados finais:

A tolerância tem valores errados. Temos uma margem de 10% que não existe e, em última análise, não é real porque nenhuma pessoa mora aqui.”

A cientista política Marina Costa Lobo acredita que os resultados tendenciosos também podem ter: “consequências para a distribuição de assentos por círculo eleitoral”.

Alberta Gonçalves

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