Como Portugal se tornou um paraíso para técnicos e turistas

Publicado em 3 de outubro 2019, 18:41Atualizado em 3 de outubro de 2019, 19h06

Nas ruas calcetadas do bairro do Beato, a leste de Lisboa, start-ups e espaços de coworking tomaram conta dos armazéns abandonados nas margens do Tejo. As fachadas leprosas dão lugar a grafites artísticos e a menor loja se transforma em um bar hipster ou uma butique vintage.

O antigo distrito industrial da zona leste da capital portuguesa está a tornar-se a nova atracção para empresas inovadoras, com a iminente abertura do grande Beato Creative Hub, nos 35.000 m2 de antigas fábricas militares reconvertidas. indústrias criativas.

Brotos jovens borbulhantes

Desde a escolha em 2016 como Sede da Web Summit , a grande massa anual de geeks, Lisboa transformou-se num novo rebento vibrante, mas não só. Todo o país está aproveitando esse momento e investindo em tecnologia. Um dos mais recentes até hoje, o Google montará seu segundo grande centro de operações na Europa, com 1.300 empregos, a Mercedes Benz seu centro de inovação digital e a BMW desenvolverá seus projetos de conectividade e direção autônoma em colaboração com um grupo de engenharia da Universidade de Coimbra.

As empresas já não escolhem Portugal apenas pelos seus custos laborais atrativos, mas também pela elevada formação e qualidade da sua mão-de-obra e do ecossistema de inovação envolvente. “diz Daniel Traça, Reitor da Nova School of Business & Economics.

Promover a marca portuguesa

Esta inversão não se deve ao acaso, mas sim” fruto de uma estratégia de longo prazo destinada a promover a marca Portugal no exterior como um selo de qualidade e eficiência “, descreve Susana Costa e Silva, professora de marketing da Universidade Católica do Porto.

Tudo começou com a crise, explica ela, quando as empresas portuguesas foram obrigadas a marchar internacionalmente para sobreviver. † A administração central desenvolveu então uma estratégia dupla para apoiar as empresas na sua prospecção e ajudar quem quer investir aqui terreno, preparando um ambiente fiscal favorável e toda uma gama de serviços para facilitar a instalação.† †

A alavanca do turismo

O esforço valeu a pena, pois as exportações passaram de 18,07% do PIB em 2009 para 28,75% em 2018. Ao mesmo tempo que lapidava a sua reputação do lado empresarial, Portugal também soube alavancar o turismo para dinamizar a sua imagem.

Aproveitou a crise do Magrebe para fazer com que os turistas quisessem vir para lá, ou até se estabelecerem para se aposentar, como já fizeram mais de 30 mil franceses, interessados ​​na perspectiva de um isenção de impostos por dez anos.

Milagre econômico de fachada

Mas se o turismo (12,8 milhões de visitantes em 2018, contra 6,5 ​​milhões em 2009 para uma população de 10,3 milhões de habitantes) contribuiu muito para a imagem de um país em plena transformação, também levou a um aumento dos preços imobiliários (por 30% em três anos). A pílula é amarga para a frustrada população portuguesa cujos salários e pensões não acompanharam. Do lado da esquerda, condenamos um “ milagre econômico de fachada isso está expulsando a classe média de seus bairros tradicionais do centro da cidade e aumentando o descontentamento social entre aqueles que ainda esperam para aproveitar a recuperação econômica.

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