Amancio Ortega reforça aposta nas empresas de energia: compra 12% da rede eléctrica portuguesa | Economia

Linhas de energia no Carregado, nos arredores da capital portuguesa, em imagem de arquivo.RAFAEL MARCANTE (Reuters)

O fundador da Inditex, Amancio Ortega, adquiriu uma participação de 12% no capital da Redes Energéticas Nacionais (REN), o operador da rede elétrica portuguesa. Conforme reportado esta sexta-feira pela REN ao supervisor da bolsa portuguesa (CMVM), a compra foi feita através da Pontegadea Inversiones, uma das empresas do escritório da família que administra os investimentos pessoais de Ortega, considerado o homem mais rico da Espanha. A operação é conhecida um dia depois de o Grupo Pontegadea ter reportado um movimento muito semelhante em Espanha, onde Ortega se tornou o segundo maior acionista da Red Eléctrica (REE) depois de assumir 5% da empresa.

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A transação de 12% das ações da REN foi acordada com a Mazoon, uma empresa petrolífera de Omã, e está avaliada em cerca de 190 milhões de euros. A Oman Oil, empresa estatal do sultanato do Médio Oriente, anunciou há meses a sua intenção de deixar o capital da empresa portuguesa de energia. A partir de agora, Pontegadea será o segundo maior accionista do operador da rede eléctrica portuguesa, com pouco menos de metade do que a State Grid Corporation of China tem, com 25%. O banco de investimento americano Lazard é o terceiro com 7%.

Pontegadea é o braço de investimento com o qual Ortega, cuja fortuna estima Forbes em mais de 66.000 milhões de euros. A maior parte de seus investimentos está focada em ativos imobiliários, mas também possui participações industriais. O mais relevante, e aquele que constitui a sua principal fonte de riqueza, são os 59,29% das ações da Inditex, a gigante têxtil que Ortega fundou e que está presente em todo o mundo através da Zara e das restantes marcas de moda. . Mas está se tornando cada vez mais comum que ela também participe de outras empresas. A De Telxius, subsidiária da Telefónica que detém redes de telecomunicações, tem 9,99%.

Mas é no sector da energia que, por enquanto, se concentram as participações industriais de Pontegadea. No final de 2019, adquiriu 5% da Enagás, a que se somam as duas operações que acabam de ser anunciadas nos operadores de rede elétrica de Espanha e Portugal. A aquisição de 5% da REE, conhecida esta quinta-feira, está avaliada em cerca de 465 milhões de euros e significa que Ortega é o segundo maior accionista atrás do Estado (que controla 20% através da Empresa Estatal de Participações Industriais). Acontece que estes 5% são o limite que um investidor privado pode adquirir na Red Eléctrica, conforme especificado nos estatutos da empresa, cujo serviço é considerado essencial para preservar a sua independência.

Depois de um 2020 de relativa calma nos investimentos, marcado por queda de receitas e resultados por conta do coronavírus, Pontegadea anunciou três grandes operações este mês. Além da entrada no capital da REE e da REN, o veículo de investimento da Ortega confirmou este mês que comprou um edifício de escritórios no centro de Londres, com o qual se tornará o senhorio do fundo Cinven, que tem naquele imóvel a sua sede. Antes, em fevereiro, transcendeu a compra de um hotel na costa de Cádiz, uma operação relativamente pequena em volume face às conhecidas este verão, já que estava avaliada em cerca de 25 milhões.

Ele conhece a fundo todos os lados da moeda.

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Chico Braga

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