ūüĆč Use vulc√Ķes extintos para armazenar carbono atmosf√©rico

√Ä medida que nossas emiss√Ķes de carbono continuam a aumentar, as tecnologias de sequestro de carbono s√£o cada vez mais oferecidas como um paliativo para nossa falta de coragem pol√≠tica para evitar o aquecimento global catastr√≥fico. Vulc√Ķes extintos podem ser locais de armazenamento relevantes, dada a emerg√™ncia. Explica√ß√£o

Pela 1¬™ vez, o 6¬ļ relat√≥rio do IPCC destacou que n√£o √© mais poss√≠vel limitar o aquecimento global sem tecnologias de captura de CO2 e que os impactos das mudan√ßas clim√°ticas em temperaturas mais baixas s√£o maiores do que se pensava anteriormente. Esta primeira afirma√ß√£o levanta muitas quest√Ķes, mas legitima todas as tecnologias de sequestro de carbono que est√£o sendo constantemente desenvolvidas.

Um novo estudo publicado na Geology sugere que capturar e armazenar carbono em vulc√Ķes submarinos ao largo da costa de Portugal pode ser um novo caminho promissor para a remo√ß√£o e armazenamento de quantidades muito maiores de gases de efeito estufa na atmosfera.

A maioria dos projetos de captura de carbono depende da injeção de dióxido de carbono em bacias sedimentares porosas que são seladas para evitar a migração de gás dos reservatórios. Nesse caso, o carbono eventualmente começa a formar minerais, mas apenas em períodos de tempo mais longos, de décadas a séculos.

No entanto, em 2016, os pesquisadores publicaram resultados mostrando que 95% do di√≥xido de carbono injetado nas camadas subterr√Ęneas de basalto da Isl√Ęndia foi mineralizado em apenas dois anos. O tempo de mineraliza√ß√£o muito menor torna o processo mais seguro e eficiente – uma vez que o carbono foi armazenado nos minerais, problemas como poss√≠veis vazamentos n√£o s√£o mais um problema.

Sabemos que a maioria dos países, incluindo Portugal, está a tentar descarbonizar a economia e as atividades humanas, indicando que esta poderá ser uma das ferramentas para resolver o problema.disse Ricardo Pereira, geólogo da Escola de Ciências e Tecnologia da NOVA e coautor do estudo.

O armazenamento de di√≥xido de carbono em um vulc√£o extinto depende de um processo conhecido como “carbonata√ß√£o mineral in situ”. Nesse processo, o di√≥xido de carbono reage com elementos em certos tipos de rocha para produzir novos minerais que armazenam di√≥xido de carbono de forma segura e permanente. Elementos como c√°lcio, magn√©sio e ferro se combinam com o di√≥xido de carbono para formar os minerais calcita, dolomita e magnesita, respectivamente.

Rochas que cont√™m grandes quantidades de c√°lcio, ferro e magn√©sio s√£o candidatas ideais para esse processo, como o basalto vulc√Ęnico que comp√Ķe a maior parte do fundo do mar.

Sabendo disso, os pesquisadores investigaram o potencial de armazenamento de carbono do antigo vulc√£o submarino Fontanelas, que est√° parcialmente soterrado a cerca de 100 quil√īmetros da costa de Lisboa e cujo cume fica a cerca de 1.500 metros abaixo do n√≠vel do mar.
Existem v√°rias raz√Ķes para isso: a estrutura do vulc√£o pode fornecer uma arquitetura ideal para inje√ß√£o e armazenamento de carbono, as rochas s√£o do tipo certo para as rea√ß√Ķes envolvidas e o local n√£o √© muito pr√≥ximo a grandes popula√ß√Ķes, mas tamb√©m n√£o muito longe. .

Corte esquemático do Vulcão Fontanelas, indicando possíveis locais de armazenamento de dióxido de carbono. Fonte: Pereira e Gamboa, 2023 See More

Este vulc√£o perto de Portugal pode armazenar entre 1,2 e 8,6 gigatoneladas (Gt) de di√≥xido de carbono, equivalente a cerca de 24 a 125 anos das emiss√Ķes industriais do pa√≠s.

Em 2022, um total de 42,6 megatoneladas (0,0426 gigatoneladas) de dióxido de carbono será removido da atmosfera pelos esforços internacionais de captura e armazenamento de carbono, de acordo com o Instituto Global CCS. Até 2022, 37,5 Gt de carbono devem ter sido emitidos para a atmosfera em todo o mundo, o que é quase 900 vezes mais do que o registrado.

Embora este estudo tenha mostrado uma grande capacidade potencial de armazenamento de carbono no vulc√£o Fontanelas, os autores apontam que muitos outros lugares no mundo podem ter vulc√Ķes offshore semelhantes que podem ser candidatos √† captura e armazenamento de carbono.

Davide Gamboa, ge√≥logo da Universidade de Aveiro e coautor do estudo, aponta: “O que torna a carbonata√ß√£o mineral realmente interessante √© o tempo. Quanto mais r√°pido se transforma em mineral, mais seguro se torna e, uma vez mineral, √© permanente.

Na aus√™ncia de coragem pol√≠tica para reduzir significativamente nossas emiss√Ķes de gases de efeito estufa, ca√≠mos em custosos recursos tecnol√≥gicos que, sem d√ļvida, n√£o ser√£o suficientes. Al√©m disso, eles n√£o resolvem o grande problema de nossas crescentes emiss√Ķes de gases de efeito estufa…


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Fern√£o Teixeira

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